Alumínio pede políticas públicas urgentes

    expoa

    Jornalistas de todo o País conheceram as instalações da Hydro, que concentra 90% da produção brasileira de bauxita, garante oito mil empregos diretos no Pará e e R$ 12 bilhões de investimentos nos últimos dez anos

    Presidente da Abal diz que o setor tem papel fundamental para gerar empregos O futuro do alumínio, Ino Brasil, passa por políticas do Estado”, diz o presidente executivo da Associação Brasileira do Alumínio (Abal), Milton Rego. Ele também destaca a importância do Pará nesse setor. “Nós temos, no Pará, 90% da produção brasileira de bauxita, 55% da produção de alumina, 46% de alumínio primário e 38% da fabricação de cabos para a produção de energia. O Pará tem uma posição absoluta de destaque. São oito mil empregos diretos; R$ 12 bilhões de investimentos nos últimos dez anos, RS 1 bilhão gastos com bens e serviços, além de vários projetos sociais desenvolvidos pelas empresas presentes no Estado”, afirma. As declarações de Milton Rego foram dadas aos jornalistas, de Belém, São Paulo e Minas Gerais, que, na terça-feira, 12, e a convite da Abal, conheceram as fábricas da Hydro Alunorte, Albras e Alubar, localizadas em Barcarena, no nordeste paraense. Ainda segundo Milton Rego, o Pará tem um papel fundamental no alumínio no Brasil, “não só na produção da bauxita mas também no restante da cadeia: no refino da bauxita e na produção do alumínio”. No Pará, afirmou, a cadeia do alumínio é muito longa, gera muitos impostos e emprega muita gente. “Um crescimento no alumínio tem um grande impacto na economia. A cada um RS 1 bilhão investido na produção da bauxita, que é o início da cadeia, você tem 2,83 empregos e 421 mil de PIB”, diz.

    Ele informa que 2015 foi o segundo ano de queda de consumo doméstico de alumínio no País: “Não foi muito diferente do que aconteceu com o restante da economia brasileira”. Segundo a Abal, a demanda interna por produtos transformados de alumínio atingiu 1.308.5 mil toneladas, volume 8.5 % inferior ao consumido de 2014, de 1.429,7 mil toneladas. Os produtos de alumínio que mais influenciaram na queda total do consumo foram retirados e fundidos, refletindo o fraco desempenho em 2015 de mercados grandes consumidores desses itens, como construção civil e transportes. Por outro lado, o uso de alumínio no mercado de embalagens apresentou crescimento. Para Milton Rego, o desempenho do consumo de alumínio no Brasil em 2015 é resultado de duas tendências contrárias: “O alumínio segue com um desempenho superior ao de seus principais concorrentes, entre os quais o aço, plástico e outros materiais. Isso é resultado da demanda dos consumidores por produtos mais eficientes, leves e resistentes. Por outro lado, o desempenho da economia e, em especial, de alguns setores consumidores importantes, foi extremamente desfavorável. A conjugação desses dois fatores, um positivo e um bastante negativo, resultou em uma diminuição do mercado total, mas inferior à queda da média dos setores ou concorrentes”, afirma. No início deste ano, a Abal fez dois cenários, ambos de queda do consumo de alumínio para 2016 menos 4% e menos 7%. “A gente não vê uma recuperação sustentável ainda nesse ano daqueles setores, especialmente construção civil e automotivo. A gente espera que as Olimpíadas dêem uma demanda importante no setor de embalagens, especialmente bebidas, mas não é suficiente para reverter a queda de mercado. Nesse momento, é difícil falar de projeção de crescimento, porque a economia vive sob função política. Eu diria que, uma vez resolvida a questão política, em seis meses a gente já teria uma mudança. A gente pararia de cair e começaria a crescer. A grande pergunta é quando a gente vai ter isso”, afirma.

    ENERGIA

    Milton Rego diz ainda que, a partir dos anos 2000, há um crescimento importante do preço da energia elétrica para o setor industrial. Nesse período, a energia elétrica cresceu a taxas de 10% ao ano seja em dólar, seja em real. “Essa pressão de custos tem impacto na produção de alumínio. Por conta disso, você tem uma queda bem importante da queda de produção de alumínio primário e o mercado continua crescendo até os últimos dois anos, mas a produção de alumínio primário cai. Hoje nós estamos trabalhando mais ou menos com a metade da capacidade que o Brasil tinha no início da década de 2000. Também é mesma coisa em relação à produção de soda, cloro, petroquímicos. Todos os grandes setores que são eletrointensivos ti’eram desempenho parecido com isso. Você tem um crescimento dos custos e vai perdendo competitividade para o mercado internacional”, afirma. O presidente da Abal diz que a cadeia do alumínio (a mineração da bauxita, a produção da alumina, a produção do alumínio primário, transformação do alumínio, utilização do alumínio e reciclagem) é responsável por 123 mil empregos diretos no Brasil. “É um setor muito importante, que emprega muito”, afirma. Milton Rego também cita características que estão presentes só no Brasil: matriz hidrelétrica verde (com impacto de carbono muito baixo), capacidade instalada, conhecimento para a produção de todas as etapas e bauxita de excelente qualidade. “Essas características você não tem em nenhum outro lugar do mundo. E é uma pena o Brasil ter feito algumas escolhas que enfraqueceram a cadeia do alumínio”, afirma.

    Ao falar sobre riscos e oportunidades, Milton Rego cita o Código de Mineração, que está sendo discutindo desde 2011. Havia a expectativa de que fosse votado ano passado, mas isso não ocorreu. “Enquanto você não tiver um ambiente regulatório decidido, fica muito complicado as empresas investirem em mineração, uma vez que você não se sabe os impactos dos custos, quanto vai custar a sua produção. Isso está atrasando investimentos”, diz. Outra questão é o custo de energia elétrica dos combustíveis. “No final de 2014, na Abal, a grande discussão era se ia faltar eletricidade. Período de seca prolongado. Hoje a situação se inverteu. A demanda diminuiu e houve o acréscimo de novos geradores. Hoje você tem sobra de energia. E a possibilidade e a gente estar conversando com o Ministério de Minas e Energia para tentar estabelecer um tipo de formato de contratos que possam dar uma luz para esse mercado de energia para a indústria eletrointensiva. Ainda não existe uma estrutura regulatória que garanta energia a longo prazo. O que existem são contratos de curto prazo”, diz.

    O terceiro aspecto apontado por Milton é infraestrutura e logística. “Existem investimentos no Pará de novas minerações. Mas o fato de você estar aqui na Região Norte coloca um agravante: a parte de logística que é pior que o das outras regiões brasileiras. Isso traz pressão de custos para você levar adiante projetos de mineração”, afirma. Fundada em 1970, a Associação Brasileira do Alumínio representa o setor junto ao governo e à sociedade, além de participar de fóruns e eventos relacionados aos negócios de seus associados. Mantém, ainda, parceria com federações e outras associações para ampliar o diálogo com toda a cadeia produtiva. Disseminadora de conhecimento, a ABAL responde pela elaboração das normas técnicas para processos e produtos de alumínio, além de contribuir com a capacitação profissional por meio de cursos, palestras e seminários em diversas áreas. É missão da entidade tornar a indústria do alumínio mais sólida, forte e competitiva.

    100 ANOS

    A visita dos jornalistas começou pela Hydro Alunorte, de quem receberam informações de José Haroldo, gerente geral de comunicação interna

    Alumínio pede políticas públicas urgentes “Você tem um crescimento de custos e vai perdendo competitividade” da Hydro, e Silvio Porto, diretor de operações. Alicerçada em 110 anos de experiência, 100 deles no setor de alumínio, a companhia tem uma história substancial no Brasil e, especialmente, no Pará. Embora sediada na Noruega, os maiores e mais importantes ativos estão no Estado: a Hydro Alunorte e a Albras em Barcarena que, em 2015, completaram 20 e 30 anos de operação, respectivamente, e a Hydro Paragominas, que, no último mês de março, celebrou nove anos de existência. A Hydro tem ainda participação acionária de 5% na Mineração Rio do Norte, uma das maiores minas de bauxita do mundo, localizada em Porto Trombetas, no Pará, e 50% da Sapa, joint-venture líder mundial em produtos extrudados, na cidade de Itu, em São Paulo.

    Aos jornalistas foi explicado que, no Pará, tudo começa em Paragominas. A bauxita lavrada no município é transportada por um mineroduto de 244 km, que atravessa sete cidades, para ser refinada na Hydro Alunorte, que é a maior refinaria de alumina do mundo. A alumina é utilizada como matéria-prima na fábrica de alumínio primário Albras, uma joint-venture entre a Hydro e o consórcio japonês NAAC (Nippon Amazon Aluminium Co. Ltd). Juntas, essas empresas constituem um dos exemplos mais fortes de verticalização atualmente no Pará. A Hydro faz parte do crescimento econômico do Pará: 8.500 empregos, entre diretos e indiretos, e isso já inclui a Albras (Hydro Alunorte, Hydro Paragominas e Albras), RS 9,2 bilhões investidos nos últimos 12 anos e RS 800 milhões em gastos anuais com bens e serviços locais. A maioria dos empregados da Hydro nasceu no Pará.

    Depois, os jornalistas conheceram a Albras, que, segundo seu presidente, Og Bernardi, é a maior produtora de alumínio do Brasil e da América Latina: 450 mil toneladas por ano. E visitaram os setores de produção da companhia, onde, por exemplo, nas “salas de cubas”, é transformado o óxido de alumínio (alumina) em alumínio metálico, até chegar nas peças, que são os lingotes, já prontos para a exportação. Das 450 mil toneladas, em torno de 100 mil ficam no Brasil e o restante é exportado. Para o exterior, o produto é transportado em navios. Para o mercado interno, em caminhões. A Albras tem 1.184 empregados diretos e 793 contratados. “80% dos trabalhadores são locais (entre Barcarena e Abaetetuba). Se adicionar Belém, vai quase a 100%”, afirma Og.

    Os jornalistas visitaram, ainda, a fábrica da Alubar, que está presente no Estado há 20 anos e gera cerca de mil empregos entre diretos e indiretos, sendo recebidos por seu gerente de produção, André KishL A Alubar Metais e Cabos destaca-se por impulsionar o processo de verticalização da cadeia produtiva do alumínio, já que transforma o metal líquido em vergalhões de liga e cabos elétricos de alumínio. A empresa faz parte do Grupo Alubar, um dos maiores fabricantes de cabos elétricos de alumínio do Brasil, que tem ainda a Alubar Energia. Cerca de 90% da mão de obra da companhia é oriunda da região. A Alubar informa que possui um rigoroso padrão de qualidade e desenvolve as suas atividades com consciência ambiental, fornecendo seus produtos a concessionárias e empreiteiras localizadas no Brasil e em diversas partes do mundo.

    Facebook Comments