Um brinde ao “sem álcool”

Um brinde ao “sem álcool”
Imagem de naureen imran por Pixabay

Desde 2008, quando a Lei Seca entrou em vigência no território nacional, os drinks não alcoólicos têm caído no gosto dos brasileiros de forma cada vez mais notória e intensa. Com uma diversidade de produtos e sabores, os chamados Mocktails (coquetéis sem álcool) – tendência mundial – se fortaleceram no País.

A estética chamativa, as receitas que aguçam a curiosidade e, os sabores que agradam os diversos paladares, formam a combinação ideal para que os adeptos não sintam falta de um toque de álcool. “Sem álcool não significa sem graça, nem infantil. O grande segredo é trazer complexidade e uma apresentação adulta do drink”, afirma a Embaixadora do BCB São Paulo, Carolina Oda.

Mocktail colorido de limão - Drink sem álcool.
Imagem por mrsiraphol em freepik.com

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Quem pensa que a Lei Seca foi a única razão para o crescimento do consumo destes drinks, engana-se. Há vários fatores a serem considerados, como questões que envolvem a saúde e o consumo de medicamentos. “A gente percebe que é algo geracional. As novas gerações não têm a mesma relação com o álcool em comparação com as mais antigas. Não tem aquela coisa do glamour, por exemplo. Acredito que também envolve o fator cultural. Em países como Espanha e Inglaterra, o consumo de não alcoólicos é maior”, informa Carolina.

É claro que esse movimento tem agitado o mercado. Em agosto de 2019, a Diageo – uma das maiores empresas do ramo, patrocinadora do BCB SP, e detentora de marcas como Guinness, Johnnie Walker, Buchanan´s, entre outras famosas – anunciou a aquisição de participação majoritária da Seedlip, fabricante de bebidas não alcoólicas. Outros indicativos? As presenças de cervejas e alguns tipos de bebidas 0%, como os vinhos, que têm ocupado as geladeiras dos estabelecimentos comerciais em maiores quantidade e diversidade.

De olho no cenário, os amigos Lee Wang e Roberto Meirelles fundaram, em 2017, a Kiro, empresa que tem produzido e comercializado, pela primeira vez no Brasil, uma bebida milenar: o switchel – feito com água, gengibre, mel e vinagre de maçã. “São quatro ingredientes bastante populares que combinados criam uma receita de paladar complexo, levemente doce, picante e ácida na medida”, conta o Sócio-fundador Lee Wang.

É fato que a relação dos consumidores com as bebidas está mudando. “Olhando para fora, vemos uma tendência relevante de pessoas buscando bebidas não alcoólicas com preocupação com os ingredientes, nuances de sabores. Por isso desenvolvemos uma bebida com a complexidade do universo alcoólico e os benefícios do mundo sem álcool”, acrescenta Lee.

A busca pela diversidade e sofisticação, oferece também novas possibilidades para os bartenders. E, como em todo cenário que valoriza o visual e o sabor, destacam-se os profissionais mais criativos e estudiosos. Para Carolina, algumas recomendações podem aumentar o potencial de mercado. “É importante se dedicar ao estudo de chá, como o kombucha, e entender de fermentação. Na coquetelaria, além das habilidades já conhecidas, os profissionais precisam buscar outras técnicas para conseguir ter mais complexidade de sabores e acidez com novos ingredientes”, diz.

Bartenders caseiros

Os bares costumam ter um público fiel, mas há quem curte bancar o bartender em casa. Em meio ao contexto de isolamento social, a prática tem mobilizado estabelecimentos a incluírem no delivery, kits com ingredientes para que as pessoas possam fazer as opções do cardápio e tentar levar parte da experiência dos locais para seus lares.

Há também quem goste de ousar e criar as próprias receitas, contando com produtos que possibilitem diferentes misturas, como xaropes, água gaseificada, entre outros. Quem prefere um estilo mais “natural”, alternativas também não faltam, como sucos, frutas em pedaços e as chamadas bebidas clean label (rótulo limpo) – que não possuem aditivos químicos na fórmula.

Especialista em opções com zero teor alcoólico, o bar Listen em Nova York é outro exemplo de iniciativa para os bartenders caseiros. O estabelecimento disponibiliza no site aulas virtuais e cursos de como preparar os mocktails em casa. As opções são pagas, com preços variáveis. De acordo com Carolina, essas ações são importantes porque estreitam a relação com o público. “Eu acho incrível esse tipo de relacionamento. Mas na cultura brasileira, isto ainda é nicho porque a gente tem muito mais procura pelo alcoólico. Aqui, nenhuma marca fez algo neste sentido de forma intensa. Isso ainda falta”, afirma.

A Embaixadora do BCB SP acredita que o mercado não alcoólico oferece possibilidades de negócios e exige muito empenho. “Como negócio, dependendo do público, vender um coquetel não alcoólico ao invés de um refrigerante, pode ter muito mais valor agregado, e a margem de lucro pode ser maior, de acordo com a receita. Mas precisa ser feito um trabalho de venda e de treinamento de equipe, porque tem gente que nem sabe que isso existe com o olhar de hoje”, finaliza.

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