Brasilidade e Cultura nos Balcões

Por Jezebel - Cibele Guimarães. A profissional trabalha em bares e restaurantes há mais de 20 anos, mas nem sempre atrás do balcão. Mais conhecida na cena noturna como Jezebel, Cibele é bartender há nove anos nesse período criou a marca ‘Drinks por Jezebel’. Já comandou o bar do GUAJA em BH e no currículo também tem passagem por diversas casas na capital mineira, como bartender e consultora de bar.

Amigo, por favor, me faz um Cosmopolitan! Espera, acho que hoje quero um Sex on the Beach… não… perdão, vou de Negroni. Se a dúvida aumentar, a lista pode se estender, mas certamente entre os coquetéis clássicos e drinks, a maioria tem nome e ingredientes gringos. Não fosse pela (mundialmente) louvada caipirinha, poderíamos continuar assim, bancando os perfeitos caipiras, exatamente por valorizar mais do vem de além mar do que aquilo que é genuinamente brazuca.

Há muito se fala na utilização de produtos brasileiros nos nossos balcões, mas é nítido que eles são subutilizados e muitas vezes negligenciados. Talvez chique seja entender se o Dry Martini está perfeito. Pode até ser, mas, espera um pouco: dar valor ao que vem da nossa terra é o luxo que ainda não aprendemos a cultivar.

Então, vamos aproveitar a alta do dólar como um limão, não para fazer uma limonada suíssa, mas para fazer um genuíno coquetel tupiniquim. E é bom começar lembrando da grande diversidade biológica que temos. O Brasil tem nada menos que nove biomas ricos em frutas, ervas, madeiras, sementes e méis. Que, aliás, gringo ama…tsk, tsk

Já imaginou o potencial que existe aqui para ser explorado em cartas de bebidas tão originais como de excelente qualidade? Nesse período de isolamento tive o prazer e a chance de estudar um projeto que se chama “Do Mato pro Copo”, uma oficina sobre cultivo e aplicação de pancs, do cultivo à coquetelaria.

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Meu interesse sobre produtos brasileiros cresceu ainda mais e tenho aprofundado meus estudos e pesquisas nesse sentido para levar para minhas criações. Soluções simples para driblar a sazonalidade não faltam, entre licores e compotas, infusões e até as famosas garrafadas tradicionais nas regiões norte e nordeste do Brasil.

A indústria de destilados brasileiros é extensa e nos últimos anos deu um salto: só de gin, que é um destilado tipicamente européia, temos mais de 150 rótulos. Isso sem contar bitters, vermutes, xaropes e licores variados. O maior dos problemas é o da marginalização das bebidas ditas de boteco e, dentre essas, a brasileiríssima cachaça, bebida que é tão nossa e, ao mesmo tempo, tão diversa, graças à riqueza de espécies de madeiras encontradas na terra brasilis. Já parou para pensar que, em vez de chorar a vodka derramada, está na hora de olhar para o próprio umbigo? Na busca por um trabalho de qualidade, os ingredientes são o ponto mais alto nesse processo e a nossa diversidade torna-se nossa grande aliada nessa missão.

E está tudo aí, ao alcance das nossas mãos e das nossas pesquisas, produtos com boas condições comerciais, com custos mais acessíveis e, o mais importante, que valorizam a nossa cultura.

Conteúdo produzido por Jezebel – Cibele Guimarães.
A profissional trabalha em bares e restaurantes há mais de 20 anos, mas nem sempre atrás do balcão. Mais conhecida na cena noturna como Jezebel, Cibele é bartender há nove anos nesse período criou a marca ‘Drinks por Jezebel’. Já comandou o bar do GUAJA em BH e no currículo também tem passagem por diversas casas na capital mineira, como bartender e consultora de bar.  Participou do projeto #happyhourcriadores da YouTube Brasil, apresentando um drink autoral em lives para top criators de conteúdos da plataforma.


O conteúdo é de inteira responsabilidade do criador e não, necessariamente, reflete a opinião da Reed Exhibitions – organizadora do evento BCB São Paulo.