Se antes da pandemia a experiência já era um dos pontos mais importantes na jornada de consumo, depois de meses de isolamento social o significado passa a ser ainda maior. Para bares, restaurantes e estabelecimentos que servem bebidas o desafio é gigante, porque além de atingir ou conquistar um novo perfil de público ainda é preciso pensar em ações que respeitam todas as recomendações de segurança.

A retomada já começou, está acontecendo de forma gradual, mas a verdade é que, além da vontade de deixar este período para trás, todo mundo quer acertar, mas não tem como saber como exatamente as coisas vão se desenrolar. Um ponto pacífico, entretanto, é que tudo tem a ver com o cliente. O comportamento dele mudou na quarentena. Prioridades e valores foram revistos e isso impacta diretamente no planejamento de experiências.

A recente pesquisa “Consumidores e a nova realidade”, desenvolvida pela KPMG e envolvendo 12 países, traz dados interessantes neste sentido. O “novo consumidor tem receio de sair, evita aglomerações, tem restrições financeiras e mais acesso a tecnologias digitais. Na outra ponta, é mais consciente e reflexivo. Dos ouvidos no estudo, 68% priorizam confiança na marca, 71% segurança pessoal e 73% facilidade de compra.

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A consulta aponta, ainda, que é fundamental para as empresas a compreensão dos impactos da Covid-19, do surgimento de novas necessidades e preferências. Isso vale para empresas de todos os portes, mas para as pequenas a atenção é redobrada. No auge da crise surgiram muitas campanhas de apoio aos comércios e produtores locais, o que deve continuar, mas isso não exclui estes estabelecimentos do esforço de identificação do que mudou para a criação ou aproveitamento de oportunidades.

O SEBRAE tem um trabalho interessante neste sentido, mapeando novos padrões de consumo e tendências de mercado no pós-pandemia. Um dos pontos fala, justamente, da descentralização dos consumidores, já que, trabalhando de casa, as pessoas não precisam se deslocar e, consequentemente, acabam comprando mais on-line. Quando não, movimentam os arredores de onde vivem.

Destaque, também, para um consumo mais responsável e consciente. O nível de preocupação com assuntos relacionados à saúde aumentou, levando o consumidor a se importar mais com os produtos e com a atitude da marca. Esta, aliás, é uma observação registrada mesmo antes da pandemia. Em janeiro, a IBM divulgou um estudo sobre tendências globais de consumo envolvendo 19 mil consumidores de 28 países, onde os entrevistados indicaram que priorizam empresas sustentáveis, transparentes e com alinhamento de valores.

Todas estas considerações, entretanto, não devem intimidar os empreendedores do setor. Ao contrário, servem como indicativo de como a atualização e a capacitação profissional são mais importantes do que nunca. Uma visão ampla da situação é fundamental para transformar desafios em soluções, com o foco não só de transpor um momento difícil, mas de se estabelecer oferecendo diferenciais de qualidade e valor.