Uma pandemia nas prateleiras dos bares

Por Marco de La Roche, diretor de educação do BCB São Paulo

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Garrafas de bebidas em tons escuros e marros em cima de prateleira, em ambiente de bar

Se já não tivéssemos que lidar com as dificuldades de uma pandemia global e uma recessão batendo à porta, tudo indica que com a alta do dólar, a oferta de bebidas internacionais ficará menos atrativa no curto prazo. Dessa forma, será essa uma oportunidade para o mercado nacional?

De fevereiro a setembro, pudemos ver uma valorização de aproximadamente 25% do dólar, o que impacta diretamente no custo dos rótulos importados no nosso país. É fato que as marcas ainda não reajustaram suas garrafas, mas sabemos que inevitavelmente essa correção deverá ser feita nos próximos meses. E quando acontecer, os bares trabalharão ainda mais com a corda no pescoço.

Se de um lado o governo impõe um atendimento à no máximo metade da capacidade de faturamento, de outro, os produtos importados tendem a encarecer de 15% a 25%. Isso desconsiderando ainda o fantasma da inflação que impacta diretamente nos preços dos demais produtos.

Portanto, este é um cenário delicado que requer enorme malabarismo dos gestores para a tomada de decisão.

A importância da gestão na pandemia

Se o presente pede toda a atenção, sabemos que no futuro teremos uma vacina adequada e a volta da normalidade dos bares. Porém, a pergunta que fica é: e até lá? No momento, um dos principais artifícios está nas mãos do gestor do bar. Afinal, ele é responsável pela manutenção da carta de bebidas e coquetéis e pela precificação dos produtos.

Repensar as bebidas que se utiliza, encontrar soluções mais eficientes e que se encaixem dentro do novo CMV – custo por mercadoria vendida – previsto para o período é de extrema relevância. E a mágica é conseguir fazer aliar redução de custo com o menor impacto de marca para os clientes.

Em um mundo não muito distante, bares e bartenders estarão inevitavelmente optando por marcas nacionais como gin, vodka, rum, cachaça, licores entre outros.

Uma oportunidade de ouro

Para nossa sorte, podemos dizer que fomos abençoados nesse momento por termos a maior oferta de destilados que esse país já viu, ao mesmo tempo, temos que podemos lamentar que ainda tão poucos conheçam nosso potencial. Isso quer dizer que os produtos importados perderão espaço nas prateleiras em definitivo? É claro que não.

O mercado de coquetelaria não se sustentaria apenas com produtos nacionais e isso também é bom. É possível que a gente veja uma redução na oferta de rótulos internacionais de menor giro e pouca negociação comercial para a entrada de alguns rótulos nacionais de igual qualidade, mas com melhor custo por produto.

Essa é uma oportunidade de ouro para a indústria nacional de firmar nas prateleiras dos bares de todo o país, e se isso acontecer, será bom para toda a cadeia, do produtor até o cliente, passando pelo empresário e pelo bartender.

Daqui, nós do BCB São Paulo vamos torcer para que todos consigam superar esse momento difícil para brindarmos juntos em breve.