A importância do posicionamento de marca no setor de bares e bebidas

Andressa Cabral, Eduardo Titton e Facundo Guerra falaram no BCB Shots sobre conceito, valores e posicionamento de marca para empresas do setor

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Mulher negra com tranças veste camisa branca e posa para foto sentada em banco em frente a balcão de bar, com outras pessoas que aparecem desfocadas ao fundo da imagem

O posicionamento de marca é muito importante para qualquer empresa, e no setor de bares e bebidas não poderia ser diferente. O momento pede que as marcas mostrem o seu lado humano, o que significa posicionar-se em relação a valores e identidade.

Estes foram alguns dos temas abordados pelo 7º BCB Shots, série de webinars do BCB São Paulo que, neste momento desafiador, contou com a participação de grandes nomes do mercado de bebidas, coquetelaria, bares e restaurantes para trazer insights relevantes sobre tudo o que acontece de mais importante no setor.

Nesta edição, participaram Andressa Cabral, Head Chef do Meza Bar e professora na Faculdade de Gastronomia da Univeritas; Eduardo Titton, fundador dos bares Vasco da Gama, 1020, Agulha e Linha; e Facundo Guerra, Diretor Executivo do Grupo Vegas, que inclui bares como o Volt, Z Carniceria, Lions Nightclub e Yacht.

Ao lado dos mediadores Carolina Oda, Embaixadora do BCB São Paulo, e Marco De la Roche, Diretor de Educação do evento, os especialistas comentaram a importância da comunicação dos negócios e, ao mesmo tempo, por que é preciso analisar questões humanas, que envolvem tanto os consumidores como os profissionais do setor. Veja os principais pontos e, ao final, assista ao webinar na íntegra!

Identidade também é negócio

“Acredito que a próxima revolução industrial é sobre as pessoas e negócios de alimentos de bebidas são feitos por pessoas e para pessoas”, definiu Andressa Cabral. Por isso, em sua visão, é preciso trazer o elemento humano cada vez mais para o centro das preocupações.

“O Meza Bar se desenhou como um hub de diversidade. Ele ocupou um imóvel que era um bar de lésbicas e sempre foi frequentado por pessoas LGBTQIA+. Quem trouxe diversidade racial fui eu e meu público. Logo, não adianta marcas pescarem causas na internet, pois não é verdadeiro. Ao mesmo tempo, pessoas compram das marcas com as quais elas se identificam. Por isso, pensar em diversidade e sustentar seus posicionamentos políticos pode oferecer maior valor de marca e mais capital”, acrescentou a especialista.

Facundo Guerra reforça a importância de um posicionamento de marca genuíno. “Não adianta começar a trabalhar com minorias sociais apenas porque virou modismo. É preciso uma razão. No meu caso de homem, branco, privilegiado e cisgênero, convivi e aprendi muito com uma mulher trans. Foi a minha primeira funcionária trans e desde então quero trazer mulheres trans para trabalhar comigo pois, em geral, elas têm um lugar social que as restringem muito”.

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Guerra acrescenta o aspecto capitalista de um negócio, que também precisa refletir valores dos proprietários. “Quando coloco uma mulher trans como hostess, dou uma oportunidade que ela poderia não conseguir em outro momento da vida. Logo, ela vai se esforçar muito mais e, pensando do ponto de vista capitalista, extraio mais-valia do trabalho dela. Não é só altruísmo, é capitalismo também. Ao mesmo tempo, o negócio precisa ser uma plataforma para expressar a forma como o dono enxerga o mundo. Por fim, é preciso respeitar as trajetórias de cada funcionário, pois cada ser humano tem vivências e passa por situações diferentes e, portanto, é preciso ter compreensão e tolerância diante das diferenças”.

A trajetória pessoal também permitiu que Eduardo Titton tivesse mais atenção a aspectos de identidade e posicionamento. “Trouxe para dentro dos bares a pluralidade da equipe por causa de valores familiares. Na seleção de pessoas, essa questão veio naturalmente e, em seguida, descobri o benefício até capitalista disso. Comecei por valores e descobri que havia mais por trás”, opinou.

“Conversando com duas funcionárias negras do Agulha”, continuou, “percebemos que, em Porto Alegre (RS), não havia outro bar que também tivesse uma gerente e uma bartender negras. Temos a preocupação nos campos da formação da equipe e do público também, pois não queremos pessoas pretas atendendo apenas gente branca. Por isso, selecionamos atrações musicais para dar voz a minorias sociais. Já trouxemos Bia Ferreira, Matheus Aleluia, Conceição Evaristo e outros. Metade dos funcionários são negros, metade é não-hétero e tudo isso aparece como causa e consequência”, finalizou.

Posicionamento de marca mais humano

A humanização é fundamental quando falamos em posicionamento de marca no setor de bares e bebidas, de acordo com Andressa Cabral. “É mandatório respeitarmos as pessoas e opiniões que possuem, principalmente em um momento em que todos estão sofrendo”, afirmou.

Logo, “a gente precisa recuperar uma relação de confiança e, dessa forma, as marcas precisam se posicionar, mostrando sua verdade e sendo transparentes. Nesse momento de desafios, os consumidores vão se apegar a marcas que mostrem sentimentos mais autênticos e vão se engajar com elas”, complementou a especialista.

Eduardo Titton acredita que o posicionamento é uma das formas de manter a conexão com os consumidores, algo cada vez mais necessário neste momento que pediu reflexão antes e que, agora, pede por mais ação. “Com a pandemia, só conseguimos comunicar e vender para aquelas pessoas que têm sinergia com o propósito da marca”, analisou, “mas sem uma boa definição interna e, como consequência, externa do negócio, não é possível atingir bons resultados”, acrescentou.

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Segundo Titton, as pessoas consomem de forma cada vez mais conscientes, “e as necessidades fizeram com que precisássemos olhar o que estamos fazendo para nós mesmos e para o mundo. Além disso, quando falamos em diversidade, conseguimos atender a mais pessoas, e atendendo mais pessoas, os negócios faturam mais”, complementou.

As marcas precisam analisar o que são e o que passam para o público, na opinião de Facundo Guerra. “Além disso, o conhecimento e a troca de informações contribuem para profissionais pensarem em melhores caminhões e em como valorizar a hospitalidade”. Ao mesmo tempo, Guerra destaca que “os negócios que mais têm defendido suas causas estão se sobressaindo, porque é o que as pessoas querem. Da mesma forma, a diversidade precisa estar em todos os lugares de uma empresa, todas as cadeias precisam refletir diversidade, seja na linha de frente, seja nos bastidores”.

Assista ao webinar na íntegra abaixo: