Por que as bebidas nacionais são mercado com enorme potencial

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A indústria de bebidas nacionais está em franca ascensão e tem potencial para crescer ainda mais neste momento. A conclusão é de Carol Oda, embaixadora do BCB São Paulo, que ao lado de Marco de La Roche conduziu o primeiro webinar da série BCB Shots, que aborda os temas mais relevantes para o setor de bares, bebidas e coquetelaria.

A primeira edição contou com a presença de Karen Guedes e Felipe Jannuzzi, fundadores da Ethylica, que atua na distribuição de bebidas nacionais com o objetivo de criar uma ponte entre produtores e consumidores.

Saiba um pouco mais sobre as possibilidades de atuação na indústria de bebidas nacionais — principalmente diante dos desafios impostos pelo atual momento — e veja como todos os elos da coquetelaria podem aproveitar o potencial desse mercado.

Você também pode conferir o webinar completo abaixo:

O potencial das bebidas nacionais

“Neste momento de isolamento físico e, ao mesmo tempo, de aumento de preços em alguns setores, temos a oportunidade de olhar mais para o mercado nacional”, disse Carol Oda. “O cenário de dólar alto e desafios financeiros nos negócios do setor durante a pandemia, existe uma nova onda de produtos nacionais que pode trabalhar com preços mais acessíveis, o que ajuda a melhorar a performance de um negócio”, complementou Marco de la Roche.

Apesar dos desafios, existem possibilidades para o setor, segundo Felipe Jannuzzi. “Acho que nunca estive tão animado, mesmo após anos atuando no mercado de bebidas nacionais e considerando os desafios que temos pela frente. Esse otimismo que temos vem desde antes da pandemia, pois enxergamos que o mercado nacional evoluiu rapidamente”, revela. “Hoje, não só os produtos são de qualidade, mas também a embalagem, a comunicação visual e outros aspectos importantes”.

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Karen Guedes também acredita no setor. “A indústria têm desafios, mas é bem pulsante: o setor de alimentos e bebidas faturou R$ 700 bilhões em 2019. Além disso, a categoria de bebidas tem crescido mais do que o PIB brasileiro e cresce de acordo com a exigência maior da demanda”, opinou.

Ao mesmo tempo em que o produto nacional melhora e o mercado consumidor é grande, características específicas do Brasil contribuem para aumentar o potencial do setor de bebidas nacionais. Para Felipe, “o produto nacional tem tudo para dominar o mundo. A cachaça, por exemplo, só pode ser produzida aqui. Temos ingredientes únicos para a produção de bebidas”.

Os desafios do setor

Apesar de todo o potencial do mercado de bebidas nacional, a crise gerada pela COVID-19 trouxe uma série de desafios. “Tivemos clientes que fecharam e outros que buscaram o delivery (sabendo que as entregas são uma parte menor do consumo de um estabelecimento). A saída foi se reinventar”, contou Karen.

Segundo a especialista, “a pandemia antecipou alguns comportamentos que, geralmente, acontecem a cada 5 anos. Compras pela internet, prioridade aos pequenos produtores, valorização da produção local, drinks engarrafados, atuação maior de bares por delivery etc. São hábitos que vieram para ficar”.

A própria Ethylica teve que fazer adaptações: reforçaram o e-commerce e aumentaram o foco no atendimento ao mercado pessoa física, não apenas para empresas. Dessa forma, conseguiram alcançar 60% do faturamento regular com pessoas físicas, com uma meta de dobrar o faturamento ao final da pandemia.

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Felipe reconhece que o novo coronavírus dificulta alguns aspectos, principalmente com o fechamento de bares. “Por outro lado, a pandemia estimula o uso do ambiente digital”, afirmou. Ele também entende que, quando deslocamentos forem permitidos, existe potencial para o setor no que seria o “turismo etílico”.

“O Brasil tem uma vantagem difícil de encontrar em outros lugares do mundo: é possível viajar algumas horas de carro a partir de grandes centros e encontrar produções de bebidas nacionais autênticas. É uma boa oportunidade de atuação, afinal após a pandemia, o turismo doméstico tende a aumentar”, opinou.

Dicas para produtores de bebidas nacionais

Uma das dicas dos fundadores da Ethylica no BCB Shots diz respeito à valorização da diversidade regional. “Entendemos que o nosso portfólio precisa ser rico, aberto e que represente a diversidade de regiões, processos de produção, envelhecimentos e muito mais”, disse Karen Guedes. “Temos bebidas que são consumidas em nível local com grande relevância histórica, como a Tiquira, no Maranhão, e outras que podem ser cada vez mais populares”, acrescentou Felipe Jannuzzi.

Ao valorizar a diversidade regional do mercado de bebidas, outra dica para produtores de bebidas nacionais é: contem a história dos seus produtos, e utilizem isso como um ativo de mercado. Quando o produtor conta a sua história ao mercado, ele muda estigmas e também promove boas experiências para os clientes. “O produtor precisa contar a história da sua produção aos consumidores”, opinou Karen.

Ao mesmo tempo, quem produz deve ter atenção aos movimentos do setor, de acordo com Felipe. “O produtor precisa acompanhar a exigência do mercado, se reposicionar e melhorar a comunicação. Ao mesmo tempo, é importante entender o seu produto e o mercado, considerando aspectos de competição com outras marcas, aspectos fiscais, tributários, empresariais e também de demanda”, declarou.

Arriscar também é preciso, como indica Karen Guedes. “Tivemos a chance de fazer a nossa primeira exportação nesse período de pandemia, o que indica oportunidades não apenas no mercado interno, quanto lá fora com exportações. É preciso se reinventar de forma ágil, assumir riscos e apostar em ações que podem dar certo”, finalizou.

Agora que você já viu todo o potencial do mercado de bebidas nacionais, veja os outros temas do setor de coquetelaria abordados pelo BCB Shots!