LIMÃO-CAPETA, SICILIANO E YUZU

limoes
Matéria de Capa da edição de dezembro Revista The Alchemist
Por: Patrícia Dijigov – @escoladebotanica (Escola de Botânica)

O gênero Citrus abrange as plantas da família Rutaceae, popularmente conhecidas por citrinos (exemplos: limão, laranja, cidra, lima, tangerina e toranja) e originárias do Sudeste tropical e subtropical da Ásia. A classificação das plantas que integram esse grupo é bastante complexa, porque quase todas as espécies conhecidas e cultivadas são híbridos, com exceção de três: a Cidra (Citrus medica), a Cimboa ou Pomelo (Citrus maxima) e a Tangerina (Citrus reticulata). As hibridações de todas as demais espécies ocorreram tanto naturalmente como a partir de cruzamentos direcionados para o cultivo, ao longo da nossa própria evolução e com o desenvolvimento da agricultura. O limoeiro (Citrus x limon) é originário do Sudeste da Ásia, mas, quando foi trazido da Pérsia pelos árabes, no ano 1000, adaptou-se tão bem na região da Sicília, que originou o nome popular de seu fruto: o limão siciliano. Ao contrário de outras espécies cítricas, o limoeiro gera frutos continuamente. Sua história na antiguidade é pouco evidente pela falta de registros paleobotânicos e de descrições ou desenhos detalhados que não deixassem dúvidas quanto à sua identificação.

Muitos desses registros podem retratar espécies semelhantes ao limão siciliano (cidra e laranjas), como é o caso de mosaicos romanos em Cartago e afrescos em Pompeia e do próprio cultivo pelos Helenos – onde limões ou cidras protegiam oliveiras do ataque de pragas. Teofrasto (pai da Botânica e aluno de Aristóteles) foi responsável pelas primeiras descrições precisas do limão siciliano para fins terapêuticos. Considerado uma panaceia para problemas infecciosos, o limão destaca-se por suas ações antisséptica, antirreumática, antibacteriana, antioxidante e antitérmica. Seu óleo essencial é extraído das cascas por prensagem a frio e é muito utilizado para melhorar a concentração e aumentar a disposição. O limão foi muito apreciado por Nero, pelos egípcios, no preparo de kashkab (bebida feita à base de limão, cevada, hortelã, arruda e pimenta-preta), e era muito popular na ornamentação dos jardins islâmicos do Mediterrâneo. Em 1742, foi adotado pela Marinha Inglesa para combater o escorbuto (causado pela falta de ácido ascórbico – a vitamina C), porém foi apenas no século 20 que a ciência descobriu e reconheceu essa substância ativa como preventiva da doença.

O limão siciliano chegou à América trazido pelos missionários espanhóis e, no Brasil, foi muito popular durante a gripe espanhola (epidemia de 1918), quando atingiu valores áureos. O limoeiro é uma árvore perene, que atinge no máximo seis metros de altura, com galhos muito ramificados, folhas alternadas, ovais e serrilhadas, flores muito perfumadas, agrupadas em cachos, e frutos de casca grossa e amarela, de formato alongado. Pode ser reproduzido por estaquia dos galhos e aprecia solo arenoso e bem adubado, sendo cultivado em regiões de clima quente ou temperado.

Os demais frutos também conhecidos por limão no Brasil são classificados como limas ácidas, e são eles: limão-taiti (Citrus × atifolia), limão-galego (Citrus x aurantiifolia) e limão-capeta (Citrus x limonia) – todos frutos de limeiras, e não de limoeiros. Por este motivo, para a Botânica, o limão siciliano é considerado o limão verdadeiro. O limão-capeta (Citrus × limonia), também chamado de limão-cravo ou limão-rosa, é o nome comum de uma lima ácida, de casca fina e verde-amarela, que se torna intensamente alaranjada e rugosa na maturação. Acredita-se ser um híbrido da tangerina com a cidra ou com o limão, provavelmente de origem indiana, utilizado como tempero (suco e folhas) e no preparo de refrescos, doces e mousses. Seu uso mais comum é como porta-enxerto na preparação de mudas cítricas. A planta cresce até quatro metros de altura e é pouco exigente em relação ao solo, à irrigação e à temperatura. De origem chinesa e também cultivado no Tibet, no Japão e na Coreia, temos o Yuzu (Citrus ichangensis × C. reticulata), que é uma fruta cítrica de casca irregular, coloração amarela ou verde, dependendo do grau de maturação – e muito aromática.

Mede entre 5,5 e 7,5 centímetros de diâmetro. Uma peculiaridade da árvore é sua resistência ao frio, que permite seu crescimento em regiões com invernos de até -12°C. No Japão há variedades ornamentais (cultivadas pela beleza da flor) e de uso culinário, em temperos, sucos e decorações de pratos. Na culinária coreana, é preparado um xarope (com pedaços da casca misturados a mel e açúcar) que, diluído em água quente, gera uma bebida (Yajacha) utilizada como remédio natural contra a gripe. Os citrinos estão entre os botânicos mais comumente usados na fabricação de gin, conferindo frescor e leveza ao destilado. Quando não estão presentes entre os ingredientes, suas cascas decoram as taças de G&T ou ainda atuam nos bastidores: o ácido cítrico derivado dos limões também é utilizado na limpeza e no clareamento dos alambiques de cobre.


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