Apresentação da Carol Oda :)

Para a minha primeira aparição nesse nosso canal de troca de conteúdo, que assunto abordar? Pensei e achei que fazia sentido começar me apresentando. Afinal, quem é essa tal de Carolina Oda embaixadora de um evento como esse? De onde vem essa menina que nem bartender é?

Pois é. Foram muitos caminhos para chegar até aqui e nada lineares. A ideia não é ser um texto egocêntrico, mas sim aproveitar a oportunidade para falar um pouco de carreira, de cargos e oportunidades, aprendizados e decisões, já que rodei e fiz um pouco de bastante coisa até chegar ao privilégio deste convite para integrar a linha de frente do BCB.


GASTRONOMIA. A história começa com um sonho de faculdade de gastronomia, concluída no final 2007. O curso é metade prático e metade teórico. Dele, já saí com base de gestão, marketing, finanças e tanto mais, além de muito repertório de sabores, ingredientes e técnicas, essenciais para facilitar a degustação, harmonização e entendimento de processos de produção. E saí sabendo que gastronomia era muito ampla, muito mais do que cozinhar, indo de arquitetura a custo, de nutrição a história da alimentação.

CERVEJA. De volta a São Paulo, depois de formada, como já tinha feito uns bicos para ela, amiga de amigos, voltei auxiliar a Cilene Saorin, mestre cervejeira, sommelière de cervejas e a primeira pessoa a trabalhar cerveja como gastronomia nesse país. Ajudava nas consultorias, cartas de cerveja… Comecei com bebida pela parte teórica, com estudo e computador. Hoje eu penso: se a Cilene trabalhasse com outra coisa, talvez eu estivesse em outra área também. É… As pessoas que cruzam nosso caminho… Quase sempre elas e através delas.

SERVIÇO. Lembro exatamente quando isso começou. Fui com a Cilene a um lançamento de cerveja em 2008. Edu Passarelli estava por lá e contou que ia abrir um bar. Prontamente, falei que queria trabalhar com ele, mas no atendimento, do lado de fora da cozinha. Curiosa que só e fã de uma voz com propriedade, fui ver o que acontecia do lado dos garçons, que sempre viveram em rixa com os cozinheiros. Fiz um curso de formação de garçonete e lá estava eu, participando da minha primeira inauguração, de um bar de cervejas na Vila Madalena – o Melograno. Um cargo de garçonete e um salário de R$524 na estreia da carteira de trabalho.

BAR. Foi um ano de operação constante e apaixonada. Abaixo do peso, quase diabética e anêmica, levava whey protein para equipe do bar bater e virava o copo no meio do movimento, e com meias de compressão. Nunca foi fácil trabalhar em bar, mas é uma alegria que só. Eu amava aquilo! Eram 140 rótulos de cerveja na carta, num momento em que a gente entendia muito pouco e o cliente muito menos, mas ainda bem que já existia o Google! Graças a ele, a gente tinha conteúdo para causar aquela surpresa e encantamento ao acertar o que agravada o paladar de alguém, a grande graça da hospitalidade.

NAMORO. É. É isso mesmo. Porque foi uma das grandes relevâncias da minha vida profissional, tanto em rede de contatos quanto em conhecimento. Era uma pessoa que não só tinha muito mais tempo de gastronomia do que eu, mas era um dos melhores chefs de cozinha do país. Amigo de muita gente, foi uma ponte para um mundo de admirados chefs e sommeliers. Ele não tinha fogão em casa e tinha um restaurante. Nunca fomos ao cinema e nem viajamos a lazer. Mas comer fora? Paraticamente todos os dias, nem que fosse no restaurante dele, sempre quase esquecendo o que estava fazendo ali e analisando a operação, fazendo consultoria imaginária.

IMPORTADORA. Nunca se sabe quem é que estamos atendendo numa mesa. Até por isso é bom fazer tudo certinho em todas. Depois de uma degustação guiada na mesa dele, Gilberto Tarantino me fala: “Estou abrindo um negócio e, se der certo, eu quero trabalhar com você”. E lá vou eu para a Tarantino, a importadora de cerveja que fez história e alegrias nesse país. Foram 3 anos sendo um instrumento para a equipe comercial vender mais, numa mistura de sommelière, marketing, produtora de eventos… Era eu quem organizava os treinamentos e jantares harmonizados, lançamentos das marcas, desenvolvia materiais junto aos designers, ajudava a ciceronear os gringos cervejeiros. Era o portfólio mais legal que já teve, de marcas super descoladas e desejadas, numa época tão diferente, de primeiro amor, de novidade. Era muito sucesso, mas um dia eu saí. E, como sei lá o que ia fazer da vida, recomecei viajando.

VIAGEM. A Europa é o berço de tantos clássicos, de tanta história e gastronomia. Era para lá que eu tinha que ir para entender estilos de cerveja, vivenciar um serviço impecável de um estrelado Michelin, comer e beber originais de fábrica. Era lá que eu tinha que gastar as economias. Foram 3 meses rodando 9 países. Não entrei no Louvre, mas comi e bebi tudo o que eu pude. A especialidade e grande foco dos últimos anos tinha sido cerveja, mas, nessa viagem, solta, solta, fui do chocolate ao whisky, da caça às trufas ao vinho de Sauternes.

CORPORATIVA. Da viagem direto para uma consultoria no Ici Brasserie, o restaurante francês com carta de cervejas da Cia. Tradicional de Comércio, um dos principais grupos de entretenimento gastronômico (atentem ao descritivo do grupo) da cidade. Essa parceria durou 4 anos e 3 inaugurações de outras unidades, construindo meu sonho de serviço de cerveja, permitido por uma estrutura muito profissional. Não é todo lugar nesta área que é assim, bem corporativo. Encaixar-se na realidade de que a última linha da planilha manda muito sim, que são muitas pessoas e setores, que são dias para cadastrar um produto no sistema, que vai ouvir falar de CMV cinco vezes por dia foi uma baita escola. Foi onde entendi que tudo é muito lindo, mas a gestão é o primordial para negócios saudáveis e duradouros e os limites de profissionalismo e visão de hospitalidade e experiência do cliente iam muito além.

BEBIDAS. Quem trabalha nessa área, tem um outro estilo de vida. Horários, lugares, dia de folga… E, assim, aos poucos, fui montando meu círculo de amigos e melhores amigos quase todo de profissionais da área. Aprendi de sakê com as amigas, de cachaça no sofá de casa, de coquetelaria nos fechamentos dos bares dos chegados, de café nas fazendas que bem recebem, de chá com o amigo dos amigos… Não só pelo contato, pela curiosidade nata e busca sem fim por novos sabores, mas também pela coerência em qualidade em tudo que comia e bebia, eu fui estudando, entendendo e aprendendo sobre diversas categorias. Foi ficando um monte de conhecimento empoçado, dentro de alguém que ainda só era conhecida e pela expertise em cerveja.

COLUNISTA. “Carol, quer ser colunista do caderno Paladar, d’O Estado de São Paulo?”. “Claro que eu quero, mas não quero falar só de cerveja. Acho que tá faltando espaço para as outras bebidas.” E assim nasceu a coluna “É de birra, mas não só”. Foi 1 ano de coluna semanal, falando de shochu a café, de canudo a rabo de galo, de coquetel com manteiga a chá com frutas. Foram muitas rotas de bar, conversas com profissionais das bebidas, chegando em conteúdo para todo público. Era viver sob pressão, mas proporcional à satisfação em poder dar voz e espaço a pessoas, coisas e sabores que mereciam, e uma incomparável ferramenta para mostrar que a Carolina não era mais só a sommelière de cervejas.

CONSULTORA. Não era da cerveja, era das bebidas. Fez gastronomia, mas ama o salão. Vive em ambiente de bar e restaurante. O que fazer com tudo isso e ser mais ativa em comunicar para as pessoas o que eu fazia ou queria fazer? Fui eu atrás de uma consultoria de identidade. Quem sou eu? Valorização da hospitalidade era o ponto máximo, aliado às bebidas, que estão na mão da equipe do salão e não há chefe de cozinha famoso no mundo que tire isso. E, então, começaram as consultorias, diagnosticando pontos de melhoria e mudança na gestão, operação de atendimento e cartas de bebida. E adoro uma inauguração, onde dá para ensinar o neófito da área como ser um dono de bar. Ainda peno um monte aprendendo a ser freela, com advogada e contratos, designers, burocracias, aprendendo a ser uma dona de empresa, mesmo sendo ela eu mesma. Afinal, não dá para cobrar profissionalismo dos contratantes e não ter o mesmo para dar.

EMBAIXADORA. Foi mais ou menos assim que cheguei até aqui, passando por cargos, lugares, pessoas, ganhando a missão de integrar o evento com as outras áreas da gastronomia. Uma história de quase 12 anos nos meandros do que envolve alimentação, conjuntamente a um trabalho intenso de autoconhecimento, essencial para qualquer desenvolvimento profissional. Acredite em mim!

Que seja produtivo e mais um saudoso capítulo nessa história, com a gente construindo juntos! Obrigada por chegar até aqui nessa contação de casos toda. Que seja animador e inspirador! A gente consegue e ainda tem tanto mais, enquanto a vida deixar. Até realizar o sonho da confeitaria pode dar tempo. Só não parar.

Até a próxima!