Tiquira, a aguardente ancestral do Brasil que quer ganhar o mundo

A bebida é produzida de forma artesanal há séculos, mas agora começa a ganhar espaço em bares sofisticados de São Paulo e Rio

A empresária Margot Stinglwagner acompanhava uma festa junina em uma pequena cidade no interior do Maranhão, em 2012, quando ouviu falar pela primeira vez da tiquira. Tradição em rodas de Bumba Meu Boi na região, a bebida quente fora oferecida aos presentes em uma rodada paga pelo dono do bar em que ela estava.

Margot perguntou o que era e descobriu que se tratava de um destilado à base de mandioca. Ficou intrigada. Carioca, filha de um executivo do setor de bebidas, nunca ouvira falar do produto. Passada a festa, foi pesquisar e ficou fascinada. As origens da aguardente remontavam aos índios brasileiros. A produção era toda artesanal e sobrevivia em poucas cidades do Estado do Maranhão.

Ninguém ainda produzia industrialmente, apesar de já haver no Ministério da Agricultura uma instrução normativa para isso. “Me dei conta de que tinha algo original ali. A tiquira é que era a aguardente 100% brasileira, não a cachaça. Porque a cana de açúcar veio de fora, com os portugueses”, conta a empresária. “Entrei numas de fazer.”

Margot foi estudar alambiqueria em Ituverava (MG), montou uma pequena fábrica em Santo Amaro do Maranhão (MA) e, desde então, se tornou parte de um movimento incipiente de industrialização e revalorização da tiquira, com perspectivas iniciais promissoras.

 

Essa é uma seleção de conteúdo da Reed Exhibitions Alcantara Machado sobre o mercado. Para continuar lendo, visite o site BBC para ver a matéria completa.