Será que o mercado brasileiro já está pronto para casas inteligentes?

Será que o mercado brasileiro já está pronto para casas inteligentes?

A capacidade de desenvolvimento no mundo da tecnologia tem sido deslumbrante. Em breve tudo será eletrônico em nossas vidas. Em teoria, seremos endereçáveis pelo nosso próprio endereço de internet (IP). Nossas casas, carros, máquinas e aparelhos serão capazes de se comunicar conosco por meio de telefones inteligentes, dispositivos móveis e computadores de qualquer lugar do mundo. A parte mais emocionante disso tudo para muitos planejadores e futuristas é a ideia de controlar o espectro eletrônico completo ao redor da casa e ver aparelhos e máquinas “falarem” uns com os outros, regularem uns aos outros, ligando e se desligando sem a necessidade de intervenção humana.

A automação em casas inteligentes poderia criar economia com base na gestão eficiente dos recursos energéticos, além de realmente controlar os fundamentos da vida de forma muito mais simples. Podem até mesmo revolucionar o dia a dia de pessoas com deficiências ou limitações funcionais. No entanto, uma preocupação inerente continua sendo a associação da tecnologia inteligente em casa com a internet.

O ideal da casa do futuro é conseguir uma perfeita auto regulação e controle usando dispositivos inteligentes que oferecem belos interruptores digitais para iluminação, climatização, avisem quando a cafeteira finaliza o preparo de mais um café, tranquem as portas e todas as outras tarefas de gestão da casa. E chegamos a grande questão: então por que não funciona dessa maneira, ou melhor, porque ainda não estamos preparados para eles?

Assim que a internet das coisas (IoT) se tornou realidade, começamos a ouvir vozes dissidentes e preventivas, principalmente no que concerne questões de segurança e privacidade. A informação transferida por meio da world wide web torna-se propensa a ser acessada por coletores de dados e hackers, bem como o Governo. O potencial para o crime e o abuso é alto. A IoT e a interligação de dispositivos podem facilitar muito malwares, spywares, worms e outras pragas virtuais que pode se espalhar e causar transtorno as nossas vidas.

É fácil imaginar como um hacker pode obter o mesmo controle sobre nossos dispositivos que temos. Há também o problema de uma vez que uma falha de segurança é descoberta e corrigida como notificar os proprietários rapidamente para atualizar seu software? Dados transferidos e gerenciados pela internet podem ser facilmente expostos e vazados. E softwares de segurança para casas inteligentes ainda não chegaram ao estado da arte de desenvolvimento, com os sistemas atuais devorando enormes quantidades de informações sobre o usuário.

Para se ter o top of mind em todos os quesitos se gasta fortunas. O custo de uma instalação bem elaborada, manutenção e reparação desta tecnologia é muito caro também. Mesmo com a projeção pela indústria eletrônica sobre a implantação de bilhões de aparelhos de baixo orçamento habilitados para internet nos próximos cinco anos, o custo de um projeto e produção destes dispositivos, muitas vezes não faz sentido.

Há muitos produtos a preços acessíveis para casas inteligentes que funcionam bem como termostatos, câmeras e detectores de fumaça. Portas que abrem e fecham que você pode controlar com o seu smartphone. Estes apelam para adotantes iniciais e nem podem ser considerados como novidade.

Quando se gasta, hipoteticamente, US$2.000 em um aparelho de última geração, como o usuário se sente três anos depois, quando seu novo modelo chega ao mercado com ainda mais funcionalidades?  E ao construir uma casa nova, com milhares de dólares em recursos inteligentes, como ficarão os ânimos quando poucos anos mais tarde o sistema já parecer uma antiguidade?

Existem dois tipos de empresas a frente dos produtos para casas inteligentes e cada uma enfrenta desafios diferentes. O primeiro é o tradicional fabricante que está tentando fazer com que seus produtos se tornem inteligentes. Seu problema é o conhecimento sobre o produto existente e a distribuição que limita a sua criatividade, além do aspecto tecnológico não ser seu forte.

O segundo tipo é a empresa de tecnologia que tem pouca ou nenhuma experiência com a categoria de produto, para que possam mais facilmente ver os pontos fracos existentes e o processo de vendas. O desafio que enfrentam é a falta de conhecimento sobre como funciona a indústria.

Mesmo com algumas intempéries, as casas inteligentes estão aí, chegando para ficar. Mas uma migração em massa não vai acontecer tão rápido como algumas pessoas têm esperança.  Segurança, sistemas que trabalham juntos, obsolescência e taxas de inscrição são alguns dos obstáculos que a indústria precisa superar. Tenhamos um olhar para o futuro e o prático. E se você está interessado em crescer em vendas de produto, seja ele inteligente ou não, é bom estar conectado.

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