90 anos de história do Brasil contados pelo concreto

90 anos de história do Brasil contados pelo concreto

Parque Anhembi, projeto de Jorge Wilheim e Miguel Juliano. DIVULGAÇÃO CASA DA ARQUITETURA

Exposição ‘Infinito Vão’, em cartaz em Portugal até abril, reúne as peças mais emblemáticas da arquitetura brasileira

Lúcio Costa se desculpa. Explica em uma carta que não pretendia competir —e diz que, na verdade, não compete. Queria apenas se desvencilhar de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu, por assim dizer, já pronta. Uma afirmação um tanto poética feita por um urbanista para apresentar sua proposta no concurso que elegeria o melhor projeto para o Plano Piloto de Brasília. Seu objetivo era fazer “uma cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo, além de centro de Governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis.” Seu projeto simples, desenhado a lápis, consistia em dois eixos, cruzando-se em ângulo reto, “ou seja, o próprio sinal da cruz”. Acabou vencedor. E depois tomou forma com os famosos monumentos desenhados por Oscar Niemeyer.

A carta enviada ao júri era o atestado do nascimento de um Brasil que queria ser moderno, mas que poucos anos depois enfrentaria uma retrógrada ditadura militar. É ela que recebe o visitante na porta da exposição Infinito Vão – 90 anos de arquitetura brasileira, em cartaz até 28 de abril na Casa da Arquitectura de Portugal, em Matosinhos. Num recorrido pelas principais construções do país, ela expõe as linhas de base do Brasil. É a primeira exposição a sair do acervo permanente da Coleção Brasil da Casa, que por dois anos reuniu projetos brasileiros originais, sob curadoria dos arquitetos Fernando Serapião e Guilherme Wisnik auxiliados por um time de arquitetos e estudantes de Recife, São Paulo e Rio. Mas não só isso. “Interessava tudo. A ideia era esgotar o material sobre aqueles trabalhos”, explica Wisnik. Formou-se, assim, a mais extensa coletânea sobre arquitetura brasileira fora do Brasil, um período de 90 anos contado com material original de 103 projetos, mais de 4.700 peças físicas e 45.500 peças digitais, entre textos, desenhos, fotos, cartas, anotações, críticas e maquetes fornecidas por 150 doadores —de órgãos públicos às famílias dos arquitetos.

SESC Pompeia, de Lina Bo Bardi. LEONARDO FINOTTI (ACERVO CASA DA ARQUITETURA)


Essa é uma seleção de conteúdo da Reed Exhibitions Alcantara Machado sobre o mercado. Para continuar lendo, visite o site El País com a matéria completa.

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