Vamos falar sobre o plástico

Vamos falar sobre o plástico

O auge da utilização do plástico reflete diretamente na saúde de nosso planeta. Um relatório recente da AIE – Agência Internacional de Energia revelou que a demanda por produtos petroquímicos está cada vez acelerada. Entre 1971 e 2015, o volume de produção de plástico industrial aumentou mais de 10 vezes, acima dos índices do cimento (6.6), alumínio (4.9) e o aço (2.9).

Mas por que esta é uma notícia desagradável? Segundo o setor petroquímico, essa corrida prevê um aumento de 7 milhões de barris de petróleo consumidos por dia até 2050, o que equivale a mais de 3 milhões de toneladas métricas de dióxido de carbono emitidas diariamente – mais de 1 bilhão lançados anualmente – apenas para plásticos e outros produtos químicos derivados do petróleo.

Hoje, plásticos petroquímicos são onipresentes em edifícios. O setor da construção, segundo maior consumidor do material, é responsável por 16% de seu consumo global. Frames de janela e porta, tapetes, tubulações e isolamento térmico agora são comumente feitos de plástico. Mas apesar de sua funcionalidade, versatilidade e baixo custo, ele desempenha um papel alarmante em agravar a mudança climática e poluição mundial. Tendo em conta estas verdades, muitos profissionais já se sentem obrigados a repensar o seu uso.

Instintivamente ao nos depararmos com esse dilema logo vem à mente os já conhecidos três “RS” – reduzir, reutilizar e reciclar. No entanto, no caso do material em questão, uma nuance a mais é necessária. Para reduzir o consumo, por exemplo, deve-se priorizar a limitação na utilização de plásticos que são difíceis de reciclar. De acordo com um relatório recente da publicação inglesa The Economist, meros 13% dos resíduos sólidos urbanos globais é reciclado e apenas 10% de plástico recuperado.

A taxa de reciclagem varia significativamente pelo tipo de polímero. A proporção de reciclados do tipo 1 – polietileno tereftalato (PET) é atualmente de 21%, tornando-o o mais reciclado de acordo com a publicação Materials and the Environment: Eco-informed. A fração de polietileno reciclado (tipos 2 e 4) é de 9%, seguido de polipropileno (tipo 5) e poliestireno (tipo 6) em menos de 6% e finalmente outros plásticos, inclusive ABS, nylon e policarbonato (tipo 7) abaixo de 5%. A exceção sequencial é o cloreto de polivinila (tipo 3), que constitui apenas 2% da oferta atual de material reciclado.

Muitos pregam que uma estratégia melhor seria renunciar aos petro-polímeros virgens por completo, optando por plásticos reutilizáveis. A abordagem inicial pode ser solicitar conteúdo reciclado no lugar de novo ao especificar materiais, como no caso dos EPS (poliestireno expandido) e XPS (poliestireno extrudido).

Outra estratégia seria procurar materiais plásticos reciclados como substitutos para os tradicionais. Telhas de polímeros remanufaturados, por exemplo, é uma indústria crescente. Da mesma forma, fabricantes de produtos como decks, tapume, cercas e aditivos de concretos começaram a abraçar os polímeros reciclados como componentes-chave.

Se os profissionais envolvidos na construção aderissem estritamente as abordagens acima ao especificar materiais, haveria uma redução significativa na demanda por novos produtos petroquímicos. No entanto, o objetivo final deve ser evitar o uso de petro-plásticos inteiramente, optando por polímeros bio-baseados e outros materiais.

Infelizmente, muitos biopolímeros têm seus próprios desafios, tais como a dependência de fertilizantes derivados de petroquímicos, problemas que podem ser superados, no entanto, com uma transformação de toda a indústria. Se levarmos em conta os efeitos devastadores que a tendência atual de acelerar a demanda petroquímica terá em 2050, mesmo com resistência, será essa a única saída.

 

Conteúdo Proprietário – Reed Exhibitions Alcantara Machado
Produção: A4&Holofote Comunicação

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