Materiais alternativos para 2018

Materiais alternativos para 2018

“Criatividade é a característica única e marcante de nossa espécie”, escreveu o biólogo E.O. Wilson em As Origens da Criatividade (Liveright, 2017). É também, ele argumenta, fundamentalmente biológico. Enquanto a arquitetura inspirada pela ocorrência natural de fenômenos não é novidade, materiais e métodos de produção biomiméticos ainda estão fazendo incursões substanciais nesse campo e na engenharia das indústrias.

Confira alguns produtos e tecnologias inspirados por organismos vivos que tem tudo para virar destaque em 2018.

Madeira Recuperada

Nenhuma lista de tendências atuais deixa de lado a madeira. Sempre em voga, arquitetos e designers estão procurando outros produtos à base da matéria-prima por razões ambientais e estéticas. Nesse quesito, a madeira recuperada cumpre os dois objetivos: fornece o efeito visual e tátil original com uma pegada ecologicamente correta.

Bioplástico de Algas

O interesse pela biomassa continua a crescer na área de plásticos e os biopolímeros há tempos prometem melhorar a qualidade de consumo intensivo de energia e o desperdício de plástico à base de petróleo, que polui os oceanos com até 12,7 milhões de toneladas métricas a cada ano. É aí que a junção de polímeros tradicionais, associados com outros contendo de 10 a 50% de algas, vem ganhando espaço no mercado. A partir da alga desidratada combinada com polietileno e polipropileno, cria-se uma matéria-prima peletizada pronta para moldagem por injeção, extrusão ou outros processos de fabricação de plástico típico. A metodologia tem ainda baixa emissão de dióxido de carbono.

Vidro Fotovoltaico

Com uma variedade de aplicações na construção e infraestrutura, incluindo paredes cortinadas, claraboias, coberturas, passarelas e mobiliário urbano, dois tipos principais de vidros fotovoltaicos estão na mira: os de silício amorfo e cristalino. Com tonalidade homogênea ou filme aplicado com fiação integral intermitente, a primeira versão apresenta desempenho mecânico semelhante ao vidro arquitetônico típico e é oferecida em uma variedade de tamanhos, cores e espessuras, conferindo níveis de transmissão de luz visível até 30% superior em condições difusas. Já o segundo, com maior geração de energia, é ideal para fachadas, coberturas ou transmissão de luz de paredes sólidas que não exijam muita claridade. Com o crescimento na utilização da energia solar, que desde 2016 já ganhou mais de 50% do mercado, os vidros fotovoltaicos provavelmente irão se tornar um material de construção cada vez mais comum.

Isolamento Biomimético

Quando o assunto é o isolamento construtivo, muitos produtos sofrem desvantagens, seja pela alta energia incorporada ou efeitos negativos na saúde humana. Esse é o caso dos poliestirenos expandidos e extrudidos, feitos de petróleo e carregados de bromados. Já o isolamento de fibra de vidro libera substâncias irritantes a pele e olhos. Na busca por uma solução boa para os negócios e para o dia a dia, o designer Lindey Cafsia lançou um olhar sob a pele do urso polar, que resultou no lançamento do Plyskin, isolante biomimético, atóxico e com três camadas distintas que combinam funcionalidade, estética e alto valor de absorção.

Zangões Robóticos

Com inspiração na área zoológica, os zangões robóticos podem realizar tarefas automatizadas, com uma capacidade de voo que permite percorrer terrenos de difícil acesso ou transportar materiais em pleno ar. Atualmente, os drones no meio da construção são utilizados para documentação visual, mas estima-se que até 2025 estarão totalmente integrados as tarefas hoje manuais, otimizando os mais variados tipos de demandas. Um exemplo recente dessa previsão aconteceu na construção do pavilhão de pesquisa CID/ITKE na Universidade de Stuttgart. Inspirado pela maneira em que o bicho-da-seda trança sua malha entre dois pontos em uma folha curvada, os pesquisadores propuseram um processo de tecelagem via drone emulando o mesmo movimento. O resultado foi uma estrutura leve, fibrosa, composta de 183km de fibras impregnadas de resina e que atingiu 11 metros de altura.

 

CRÉDITO DA FOTO: Courtesia Onyx Solar

 

Conteúdo Proprietário – Reed Exhibitions Alcantara Machado
Produção: A4&Holofote Comunicação

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