Manual para a construção mais sustentável

Manual para a construção mais sustentável

Por Mônica Barbosa

Em tempos de metrópoles superpopulosas, escassez de recursos naturais e apreensão com o futuro do planeta, empresas de todos os setores buscam a sustentabilidade. Até mesmo a dinamarquesa Lego já criou seu próprio centro de pesquisas em materiais sustentáveis para descobrir alternativas ao plástico usado em seus brinquedos. Mas a pressão sobre o tema é ainda maior na indústria de arquitetura e construção para que cada vez mais sejam feitas obras bem planejadas, verdes e pouco onerosas.

É por isso que eu adorei saber que o Ministério do Meio Ambiente disponibilizou de graça na internet uma cartilha sobre técnicas de bioconstrução, ou seja, métodos de edificação que apresentam menor impacto ambiental. Voltado para as comunidades brasileiras, o material ainda é muito útil para qualquer profissional do setor que queira saber diferentes técnicas ambientalmente corretas de construção.

A cartilha, que pode ser lida na íntegra aqui, tem como objetivo “contribuir para a criação de povoados mais saudáveis, autossuficientes e conectados com o ambiente natural”. Na realidade, a iniciativa foi criada para um curso do Programa de Apoio ao Ecoturismo e à Sustentabilidade Ambiental do Turismo (Proecotur), mas tem dado tão certo que decidiram disponibilizá-la para quem quiser ler sobre o assunto.

No conteúdo, há espaço para a discussão de materiais e técnicas de construção adequadas para cada obra (levando em consideração principalmente o clima da região) até a abordagem de diferentes técnicas tradicionais, como superadobe, adobe, COB, taipa de mão e taipa de pilão, além de cuidados com abastecimento e saneamento básico. O mais bacana é que essa cartilha ensina a olhar para todos os materiais que podem estar disponíveis nas comunidades, mas não são valorizados, incluindo  terra, pedra, palha e madeira.

É importante lembrar que essa preocupação com o uso de matérias-primas sustentáveis tem feito com que muitas empresas de tecnologia construtiva invistam em pesquisas inovadoras pelo mundo inteiro. Mais recentemente foram criados novos materiais como o Replast, invenção do engenheiro neozelandês Peter Lewis que se trata de um tijolo produzido a partir da compressão dos restos de plástico que não necessitam de cola ou adesivos. Destaco também as telhas, placas e cumeeiras da empresa paulista Ecotop, feitas com 25% de alumínio e 75% de plástico polietileno de baixa densidade proveniente de restos de tubos de creme dental, embalagens e resíduos pós-industrial.

Outra técnica bastante interessante é do piso feito de pneus reciclados usados no revestimento de playgrounds ou espaços de tráfego intenso, como academias e hospitais.  Comum na Europa e nos Estados Unidos, o material é uma solução inteligente se considerarmos que a borracha demora cerca de 600 anos para se decompor e quando queimada libera poluentes no ar como carbono e enxofre. Viva a sustentabilidade!

MÔNICA BARBOSA é reconhecida como a voz do design no Brasil. Idealizadora e diretora do LIVING DESIGN, a profissional multimídia estreou o primeiro programa de design no rádio no Brasil. Assina a coluna Design na revista semanal Caras e está presente no CarasBlogs, no Anuário de Decoração Caras e na revista mensal Minha Casa . Profunda conhecedora do comportamento estético, do estilo de vida e do morar contemporâneo, a publicitária se especializou em arquitetura e design ao desenvolver projetos de branding para grandes marcas do setor. A partir de 2016, é também parceira da Feicon Batimat, maior feira da construção civil da América Latina.

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