Por que você precisa dar mais atenção aos brewpubs e tap rooms

0
79
cerveja-brewpubs-tap-rooms

Vamos falar um pouco de cerveja por aqui, que também tem no BCB, pode ser insumo para bartender, é assunto complicadinho, que está em alta faz tempo e deve continuar e, do que vejo, é uma das mais pedidas nos momentos de folga da categoria. Temos tido, no Brasil todo, cada vez mais a oportunidade de consumir cerveja na sua melhor versão, não só com o notável crescimento do número de cervejarias, mas também com a popularização de dois conceitos de bar: brewpubs e tap rooms.

Hoje, entre as avenidas das cidades, inclusive facilitado por conta das mudanças das leis de zoneamento que permitiram a abertura de cervejarias nessas áreas, encontramos cada vez mais deles. Brewpubs são os bares que produzem in loco sua própria cerveja, que têm a fábrica dentro do bar.

Já os tap rooms são como se fossem a loja de fábrica das cervejarias, a área que fica na frente da área de produção, mas que não têm serviço de mesa e nem cozinha, na maioria das vezes. Meio que brewpub é um bar que tem cervejaria e tap room é uma cervejaria que tem uma área de consumo.

Para quem quer aprender sobre o assunto, discutir tecnicamente, conhecer produção, esses são os melhores lugares. Além de ninguém trata melhor o filho do que os próprios pais, tendo toda a preocupação com temperatura, copo, limpeza da chopeira, é lá onde se encontram os entusiastas da marca, dos estilos, da categoria toda de cerveja. Nesses locais é onde mais se encontram as pessoas que amam passar horas discutindo cerveja.

Para quem quer aprender sobre o assunto, discutir tecnicamente, conhecer produção, esses são os melhores lugares.

Além disso, tomar a cerveja cheia de vivacidade, a máxima possível, saída do tanque a poucos metros de você, é o ponto alto. O brasileiro está acostumado a achar que o de longe é melhor, é mais legal.

O paulista adora cerveja que vem de caminhão de Belém debaixo de um sol de rachar. O santo de casa que não faz milagre com certeza não é Santo Agostinho, o padroeiro dos cervejeiros!

A relevância do que acontece na logística da cerveja é igual – ou até maior – do que o controle na produção. É certo desperdício pegar o resultado do exímio trabalho do mestre-cervejeiro e, na sequência, fazê-lo passar por intenso calor, luz e agitação.

Inclusive, saiba que muitas vezes (se não a maioria), em que a cerveja está alterada, fora do padrão que está acostumado, a culpa é da transportadora e do ponto de venda e não da cervejaria.

Para cada estilo, uma consequência. Com o passar do tempo e com falta de cuidado, um sintoma invariavelmente aparece. Aromas percebidos como papelão molhado ou solvente podem surgir; o amargor diminui; a adstringência aumenta; um sabor metálico não é nada raro; aromas deliciosos somem; o dulçor aumenta; a cerveja desequilibra…

O lúpulo, o ingrediente mais amado – e caro – da vez, a estrela máxima do estilo da moda – o IPA –, é o que mais sofre. Seus nobres, complexos, cítricos, frutados, florais aromas se perdem rapidamente com calor e luz.

O fato de pouquíssimas pessoas se atentarem a essas características está mais relacionado a simples falta de repertório de comparação do que de qualquer limitação sensorial para reconhecê-los. Quanto mais bebermos cerveja fresca, com a mesma intensidade aromática e limpidez com que foi projetada para ter, mais notaremos que tem alguma coisa especial nas cervejas bem preservadas.

Quanto mais bebermos cerveja fresca, mais notaremos que tem alguma coisa especial nas cervejas bem preservadas.

Beber rótulos transportados em cadeia refrigerada ou beber o mais perto da fonte possível são as saídas. A primeira opção tem sido, pouco a pouco, mais praticada, conforme os apreciadores e as cervejarias foram ficando mais conscientes.

Por mais que aumente os custos, ainda mais se falarmos de importação, já temos público exigente que entende e paga por essa relação de custo-benefício. Manter o padrão de cuidado no ponto de venda, recomendado pelos fornecedores, é essencial.

Viva Santo Agostinho pelo privilégio da cerveja fresca, cada vez mais acessível! Ir de chinelo à cervejaria do bairro é um milagre!